Oito dias atrás, escrevemos aqui que Crimson Desert era o jogo que metade da internet estava esperando errado. Que quem chegasse esperando The Witcher 3 — história profunda, personagens complexos, escolhas morais que importam — ia sair decepcionado. E que quem chegasse esperando um sandbox de exploração denso com combate de character action ia sair depois de 80 horas ainda querendo mais.

Os reviews de hoje são a prova em tempo real dessa divisão. E são fascinantes de ler lado a lado.


Os Números Primeiro

Metascore de 78/100, baseado em 91 reviews no momento em que isso é escrito. OpenCritic em 79. "Geralmente Favorável", segundo a classificação do Metacritic.

Não é um número ruim. É um número que decepciona porque as expectativas eram outras. A maioria dos jogadores esperava algo próximo de 85 ou acima, segundo uma poll do próprio Metacritic divulgada essa semana. As ações da Pearl Abyss caíram no pregão da manhã de hoje assim que as notas vieram a público.

Para referência: Black Desert Online, o MMO anterior da Pearl Abyss, tem Metascore de 73. Crimson Desert é cinco pontos acima do único outro jogo de referência do estúdio. Não é exatamente um fracasso.


O Que a Crítica Elogia — Sem Exceção

Tem um consenso claro nos reviews que vale destacar antes de chegar nos problemas.

Os elogios são consistentes: o mundo de Pywel é visualmente espetacular, o combate é feroz e expressivo, e a escala do jogo é genuinamente impressionante. A Forbes passou 100 horas no jogo e ainda não tinha terminado a questline principal.

Paul Tassi da Forbes deu 9.5/10: "Se a pergunta era se Crimson Desert podia ser tão grande, jogar tão bem e te entreter o tempo todo, a resposta, pra mim, é inequivocamente sim."

Um revisor passou mais de 110 horas no jogo e disse que já viu quase tudo que há pra ver — mas que não estava pronto pra dar nota final sem terminar a história principal e explorar o que o endgame tem a oferecer.

Ninguém discute o mundo. Ninguém discute o combate. Pywel é, por consenso, um dos mundos abertos mais impressionantes tecnicamente já construídos num videogame.


O Que Divide a Crítica

É aqui que fica interessante. Porque os problemas apontados pelos reviews são exatamente os que qualquer pessoa prestando atenção nos previews poderia antecipar.

As críticas são igualmente consistentes: história e personagens amplamente descritos como subdesenvolvidos, com boa parte da narrativa relegada a blurbs curtos de menu. O design de quests parece uma checklist em muitos pontos. O gerenciamento de inventário é frustrante. O sistema de cura incomoda mais do que deveria.

Lewis Gordon foi o mais duro: "Pense nos jogos de The Witcher — você quase consegue sentir o cheiro da água podre, da lama revirada e da carne queimada. São obras de textura e um senso de lugar genuinamente idiossincrático. Como Crimson Desert tem gosto? Imagine um banquete onde quase cada prato tem um leve gosto de papelão — e você precisa comer pra sempre."

É uma metáfora cruel. E captura algo real sobre o jogo — um mundo que é espetacular visualmente mas que, segundo parte da crítica, não tem alma suficiente pra sustentar centenas de horas de investimento emocional.

A outra crítica recorrente são os bugs. A IGN, atualmente com nota 6 numa review em andamento, descreveu um bug de progressão de quest que forçou o revisor a copiar o arquivo de save de um colega para continuar. Problemas de pathfinding de companheiros e múltiplos crashes também foram reportados. A Pearl Abyss diz que o bug de progressão foi corrigido antes do lançamento — mas num jogo desse tamanho, é difícil imaginar que foi o último.


A Divisão Em Números

O que torna o Metascore 78 especialmente revelador é a distribuição das notas, não a média.

Tem 100 da Vice. Tem 9.5 da Forbes. E tem 6 da IGN — em andamento, sem nota final. Tem críticos que saíram de 150 horas de jogo ainda empolgados e tem críticos que descreveram o mundo como papelão.

É um jogo que vai polarizar a opinião, como o Kotaku resumiu — a bolha do hype estourou, mas os que se identificam com o tipo de jogo que ele é vão adorar.

Isso não é uma média de qualidade. É um Rorschach.


O Que Isso Significa Na Prática

Se você leu nossa prévia de oito dias atrás, a conclusão de hoje é a mesma — só com mais dados.

Compra sem hesitar se: você quer um mundo aberto pra se perder por semanas, não se importa que a história seja funcional em vez de extraordinária, e tem apetite pra aprender sistemas que o jogo não te explica de mão em mão. Os 9.5 da Forbes e os relatos de pessoas com 100+ horas ainda engajadas são o sinal mais honesto de que o jogo funciona pra quem é o público certo.

Espera um patch ou dois se: bugs de progressão te frustram até o ponto de largar um jogo, ou se você está em cima do muro sobre o gênero. Um ou dois patches de estabilidade nas próximas semanas provavelmente vão resolver os casos mais graves reportados nos reviews.

Pula se: você veio esperando narrativa. A crítica é unânime aqui — Crimson Desert tem história de suporte, não história central. Se isso importa pra você, não vai mudar depois de um patch.


Uma Nota Sobre o 78

O Insider Gaming, com nota 7/10, representa bem o consenso: chama o jogo de "extremos" — elogia Pywel como um mundo incrivelmente detalhado e massivo, digno de exploração.

78 num Metacritic de 2026 não é o que 78 era há dez anos. A deflação de notas da crítica especializada faz com que a maioria dos jogos "bons mas não perfeitos" termine entre 75 e 82. Crimson Desert está exatamente nessa faixa — o que significa que é um jogo que a maioria das pessoas que gosta do gênero vai curtir, mas que não vai convencer quem está em cima do muro.

A pergunta mais honesta não é "esse jogo merece 78 ou 85?" É: Crimson Desert é o tipo de jogo que você quer jogar? Se a resposta for sim, o número não importa muito.


O Veredicto do dredecoplays

Não somos a Forbes com 100 horas de preview, nem a IGN travada num bug. Mas depois de meses acompanhando cada preview, cada trailer e cada análise técnica que saiu sobre esse jogo, aqui está o que pensamos:

Crimson Desert é exatamente o jogo que ele sempre pareceu ser. Um sandbox de exploração absurdamente ambicioso, com combate que rivaliza com os melhores do gênero e um mundo que vai levar meses para ser completamente vasculhado pela comunidade. E uma história que existe, funciona, mas não vai ser o motivo pelo qual você vai se lembrar de ter jogado.

O 78 reflete a parte da crítica que esperava mais narrativa e menos checklist. O 9.5 reflete a parte que entrou querendo um mundo pra explorar e saiu com exatamente isso.

Aqui no blog, provavelmente vamos dar nota parecida com a Forbes. Mas o review completo vem depois de semanas de jogo — não depois de uma tarde de lançamento.

Por agora: está disponível, está funcionando na maior parte, e Pywel é real. Se você estava esperando desde os primeiros trailers, hoje é o dia. 🗡️


Você já baixou? Qual foi a primeira impressão? E o que você acha do 78 — número justo ou a crítica errou a expectativa? Comenta aí.


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