Você conhece bem esse sentimento. Malenia está morta, o Elden Trono foi conquistado e a tela de créditos passou. Você ficou olhando para o menu principal por uns bons minutos, sem saber o que fazer com a sua vida.
Elden Ring tem esse efeito. Não é só um jogo — é uma régua que redefine o que você espera de uma experiência. Tudo que vem depois parece menor, mais vazio, menos vivo.
A boa notícia: existem jogos que chegam perto. Alguns chegam mais perto do que você imagina — e quase ninguém jogou. Esta lista não é sobre os óbvios (Bloodborne, Dark Souls 3, Sekiro). Esses você já conhece. Aqui a gente vai fundo nos menos celebrados, nos injustiçados, nos que ficaram à sombra de lançamentos maiores e merecem muito mais atenção.
Antes de começar: o que faz um Soulslike realmente valer o seu tempo?
Elden Ring não é só difícil. É um jogo com identidade visual inconfundível, sistemas que se interconectam de formas inesperadas e uma sensação de mundo que existe antes e depois de você. Qualquer Soulslike que queira ocupar esse espaço precisa oferecer pelo menos um desses três pilares de forma genuína.
Os cinco jogos abaixo fazem isso — cada um à sua maneira.
#5 – Ashen (2018) | Metascore: 73 | IGN: 8.5 | PC Gamer: 8.5
Desenvolvedor: A44 / Aurora44 | Publisher: Annapurna Interactive Plataformas: PC, PS4, Xbox One, Switch | Duração: ~20–25h
A primeira coisa que você nota em Ashen é o visual: sem rostos, sem sombras duras, com uma paleta de cores que parece uma pintura nórdica em movimento. É deliberadamente minimalista — e é exatamente isso que faz o jogo funcionar.
Ashen não tenta competir com a FromSoftware no território da dificuldade punitiva ou do lore impenetrável. Ele pega a fórmula Souls e adiciona algo que ela raramente tem: otimismo. Você não está explorando ruínas para colecionar almas. Você está construindo uma comunidade. Cada NPC que você encontra pode ser convidado para o seu acampamento, trazendo novas habilidades de crafting, histórias e uma sensação genuína de que o mundo melhora com a sua presença.
O co-op passivo — onde outros jogadores podem aparecer no seu mundo como NPCs antes de revelar que são humanos — ainda é uma das mecânicas multiplayer mais elegantes do gênero. A GameSpot deu 9/10 e descreveu perfeitamente: as relações que você forja definem sua aventura, e ajudar seus novos amigos é uma motivação poderosa que te leva adiante pelo belo mundo do jogo.
O que o conecta a Elden Ring: a liberdade de exploração em mundo aberto interconectado e a sensação de que cada canto esconde algo novo.
O que o diferencia: tom mais acessível, sistema de construção de comunidade e co-op orgânico — ótimo ponto de entrada para quem quer apresentar o gênero a alguém.
💡 Dica: Disponível no Game Pass. Se você tem acesso, não tem desculpa.
#4 – Mortal Shell (2020) | Metascore: 72
Desenvolvedor: Cold Symmetry | Plataformas: PC, PS4/PS5, Xbox | Duração: ~15h
Mortal Shell chegou no momento errado — lançado no mesmo ano de Demon's Souls Remake e Ghost of Tsushima, ficou completamente soterrado. Uma pena, porque o jogo tem uma ideia central que nenhum outro Soulslike tentou antes ou depois: você não cria um personagem. Você habita os mortos.
Os Shells são corpos de guerreiros caídos espalhados pelo mundo — cada um com estatísticas, armas e estilos de combate completamente diferentes. Encontrar um novo Shell funciona como um momento de descoberta genuíno: você não sabe o que vai encontrar até testar.
Mas o verdadeiro diferencial é o sistema Harden — uma habilidade que permite petrificar seu personagem instantaneamente para absorver golpes. Parece simples, mas transforma completamente a lógica do combate. Em vez de só esquivar, você começa a calcular quando vale endurecer e quando vale recuar — criando um ritmo de luta único que nenhum outro jogo do gênero replica.
A atmosfera é densa, quase sofocante. Mortal Shell é um jogo que parece uma catedral abandonada: belo, frio e com segredos enterrados nas paredes.
O que o conecta a Elden Ring: a sensação de mundo implacável com lore escondido em cada detalhe ambiental.
O que o diferencia: o sistema de Shells e o Harden criam um ritmo de combate que não existe em mais lugar nenhum.
💡 Dica: Comece pelo Shell Harros. É o mais equilibrado para entender a mecânica antes de experimentar os outros.
#3 – Thymesia (2022) | Metascore: 70 | OpenCritic: 72
Desenvolvedor: OverBorder Studio | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series | Duração: ~8–10h
Thymesia tem um problema de percepção: por ser barato, por ter sido lançado pela Epic Games Store e por ter um trailer que não captura bem o que o jogo realmente é, muita gente passou por ele sem dar uma chance.
Quem passou errou feio.
O jogo é inspirado claramente em Bloodborne — ritmo agressivo, sem escudo, com foco em pressionar o inimigo o tempo todo. Mas tem uma mecânica própria que o separa do clone genérico: um sistema de duplo dano onde os ataques físicos causam dano convencional e os ataques de praga causam feridas que o inimigo pode regenerar. Para fazer dano real e duradouro, você precisa usar as duas fontes de dano em sequência — o que força um estilo de combate ofensivo e calculado simultaneamente.
A crítica especializada reconheceu isso. A GameSpot destacou que Thymesia está entre os melhores Soulslike de fora da FromSoftware, com grandes ideias e batalhas de chefes intensas e memoráveis. Já o Metacritic reuniu avaliações que descreveram o jogo como uma experiência enxuta, inteligente e recompensadora — que entende o que importa nas suas inspirações e adiciona algo próprio.
É curto — um veterano do gênero zera em 8 horas. Mas são 8 horas sem gordura, sem missões de preenchimento, com cada chefe sendo um teste genuíno de habilidade.
O que o conecta a Elden Ring: o senso de progressão baseado em maestria real do combate, não em grinding.
O que o diferencia: duração compacta e sistema de praga que exige que você jogue ofensivo o tempo todo.
💡 Dica: Não ignore as Plague Weapons. O sistema de roubo de habilidades dos inimigos é o coração do jogo — use e abuse.
#2 – Steelrising (2022) | Metascore: 72
Desenvolvedor: Spiders | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series | Duração: ~15–20h
Imagine a Revolução Francesa. Agora imagine que Luís XVI, em vez de enfrentar a guilhotina, construiu um exército de autômatos asssssssinos para massacrar os revolucionários. É esse o ponto de partida de Steelrising — e a premissa é tão específica e estranha que funciona perfeitamente.
Você controla Aegis, uma guarda-costas mecânica criada para proteger a rainha Marie Antoinette. Paris está em chamas e dominada por máquinas. E você precisa atravessá-la.
O que separa Steelrising do campo de clones genéricos é a ambientação irretocável: os cenários reproduzem monumentos reais de Paris com fidelidade histórica — o Palácio de Versalhes, as Tulherias, a Bastilha — apenas com autômatos barrocos no lugar de guardas humanos. A dissonância entre a beleza arquitetônica do cenário e o caos mecânico dos combates cria uma identidade visual que fica na memória.
O sistema de builds é surpreendentemente profundo para um jogo do tamanho do estúdio Spiders. São quatro classes com árvores de habilidade distintas, dezenas de armas com moveset próprio e elementos de freeze e fogo que incentivam experimentação constante.
O que o conecta a Elden Ring: variedade de builds e a recompensa de explorar cada canto de um mundo denso em detalhes históricos.
O que o diferencia: ambientação completamente única — nenhum outro Soulslike acontece na Paris do século XVIII.
💡 Dica: A classe Bodyguard (tanque) é a mais intuitiva para começar. Mas a Alchemist tem as armas mais criativas do jogo — vale experimentar num segundo playthrough.
#1 – Another Crab's Treasure (2024) | OpenCritic: 78 | Recomendado por 81% dos críticos
Desenvolvedor: Aggro Crab | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Switch | Duração: ~15h
A grande ironia de Another Crab's Treasure é que ele parece uma piada e entrega uma das experiências Soulslike mais honestas dos últimos anos.
O conceito é improvável: você é Kril, um caranguejo eremita cujo objeto de estimação foi confiscado por um polvo-cobrador de impostos. Para recuperar sua concha, você precisa atravessar um oceano poluído cheio de criaturas hostis. As "armaduras" que você equipa são literalmente lixo humano — tampas de garrafa, latas amassadas, copos de fast food — cada uma com atributos diferentes e uma habilidade especial.
Mas tire o charme visual de cena por um segundo: o que sobra é um Soulslike tecnicamente competente, com design de chefes memorável, hitboxes justas, combate de stamina satisfatório e uma curva de dificuldade que respeita o jogador sem nunca ser condescendente. A OpenCritic avaliou com 78 e 81% de recomendação dos críticos — números que colocam o jogo firmemente no campo dos "bons" dentro do gênero.
O que ninguém esperava: a narrativa tem camadas. O que começa como uma comédia sobre um caranguejo burocrático se transforma, sutilmente, em uma crítica ao consumismo, à poluição e ao ciclo de débito em que criaturas menores ficam presas. É um jogo que diz coisas reais usando um personagem que usa tampinha de garrafa como chapéu.
O que o conecta a Elden Ring: a sensação de exploração recompensadora e chefes que exigem leitura de padrão e não força bruta.
O que o diferencia: tom completamente oposto — colorido, engraçado, acessível — sem abrir mão do desafio genuíno.
💡 Dica: Experimente as shells ativamente. Trocar de "armadura" conforme o encontro é a principal ferramenta estratégica do jogo — e é mais divertido do que parece na teoria.
Conclusão
Nenhum desses jogos é Elden Ring. Seria desonesto dizer o contrário.
Mas cada um deles faz algo que a FromSoftware não tentou — e isso, por si só, já justifica a jornada. Ashen te lembra que dificuldade pode coexistir com calor humano. Mortal Shell reinventa o que significa "construir um personagem". Thymesia prova que 8 horas bem desenhadas valem mais que 40 horas medianas. Steelrising coloca você em um dos cenários mais originais do gênero. E Another Crab's Treasure demonstra, com uma tampa de garrafa e muito charme, que a fórmula Souls ainda tem muito espaço para ser reinventada.
A síndrome do vazio pós-Elden Ring tem cura. Ela se chama backlog.
Já jogou algum desses? Tem alguma hidden gem que ficou de fora e merecia estar aqui? Comenta abaixo — esse tipo de recomendação é o que mantém o gênero vivo. 🗡️
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