Todo ano a indústria de games promete o próximo grande blockbuster. Trailers cinematográficos, orçamentos de centenas de milhões de dólares, campanhas de marketing que dominam a internet por meses. E todo ano, sem falta, algum estúdio pequeno — às vezes com menos de 30 pessoas — lança um jogo do nada e humilha todo mundo.
Em 2025, isso não aconteceu uma vez. Aconteceu várias.
O ranking final do Metacritic para o ano foi dominado por indies: dos 20 jogos mais bem avaliados de 2025, 11 são produções independentes — um número que teria parecido impossível há uma década. A Nintendo se destacou como a melhor publicadora do ano, e os fãs de RPG japonês tiveram motivos extras para comemorar.
Mas antes de entrar na lista, é preciso dizer uma coisa: 2025 foi, objetivamente, um dos melhores anos da história dos videogames. E isso torna qualquer ranking dolorosamente injusto. Ficaram de fora jogos incríveis. Esse é o melhor problema possível.
A Metodologia
Esta lista usa o Metascore do Metacritic como critério principal — o índice que agrega notas de centenas de críticos especializados ao redor do mundo. Para jogos lançados em múltiplas plataformas, usamos a nota mais alta registrada. Remasterizações e ports foram excluídos (caso contrário, as versões Switch 2 de Zelda dominariam a lista inteira, o que seria justo, mas entediante).
#8 — Split Fiction (2025) | Metascore: 90
Desenvolvedor: Hazelight Studios | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Josef Fares — o diretor que subiu no palco do The Game Awards para xingar a Apple — fez de novo. Split Fiction é uma aventura cooperativa que coloca duas escritoras presas dentro de suas próprias histórias: uma de ficção científica, outra de fantasia. O que parece um conceito simples se transforma em uma das experiências co-op mais criativas e variadas já feitas.
Cada capítulo reinventa completamente a jogabilidade. Em um momento você está pilotando naves em combates espaciais, no outro está resolvendo puzzles em um mundo de magia medieval — e as duas protagonistas precisam colaborar de formas que o jogo justifica narrativamente o tempo todo.
Para quem já jogou It Takes Two (GOTY 2021 da Hazelight), Split Fiction soa como uma versão ainda mais ambiciosa da mesma fórmula. É o tipo de jogo que convence até quem nunca jogou nada a pegar um controle.
Jogue se: você tem alguém para jogar junto. A experiência é projetada do zero para ser compartilhada.
#7 — Hollow Knight: Silksong (2025) | Metascore: 91
Desenvolvedor: Team Cherry | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Switch 2
Sete anos de espera. Memes infinitos. Uma comunidade que transformou a ausência de notícias em um fenômeno cultural próprio. E quando Silksong finalmente chegou em setembro, a Team Cherry entregou exatamente o que prometeu — e um pouco mais.
O jogo coloca o jogador no controle de Hornet, princesa de Hallownest, em uma jornada pelo Reino de Fiarlongo em busca de um caminho de volta para casa. A exploração combina plataformas desafiadoras, combates precisos e segredos a serem descobertos.
A crítica reconheceu algo raro: a Team Cherry fez o impossível. Diante de uma expectativa colossal, conseguiu capturar o mesmo relâmpago duas vezes. Silksong é uma obra-prima — não porque seja maior e melhor que o original, mas porque não se perdeu tentando escapar de sua sombra.
Jogue se: você terminou o Hollow Knight original. Se não terminou, comece por ele — e separe um mês do seu calendário.
#6 — Donkey Kong Bananza (2025) | Metascore: 91
Desenvolvedor: Nintendo EPD | Plataformas: Nintendo Switch 2
A surpresa da Nintendo do ano. Enquanto todo mundo esperava mais Zelda ou Mario, a empresa lançou o primeiro jogo principal de Donkey Kong em mais de uma geração — e ele veio com tudo.
Donkey Kong Bananza alcançou User Score 9.0 e Metascore 91, uma combinação rara que indica que críticos e jogadores, por uma vez, concordaram completamente. O jogo usa a destruição de cenário como mecânica central: quase tudo pode ser quebrado, escavado ou arremessado, e os puzzles do jogo exploram esse sistema de formas cada vez mais criativas.
É também um dos jogos mais visualmente impressionantes do Switch 2 — prova de que a Nintendo sabe exatamente o que está fazendo com o hardware quando quer.
Jogue se: você tem um Switch 2 e quer o melhor argumento para justificar a compra do console.
#5 — Blue Prince (2025) | Metascore: 93
Desenvolvedor: Dogubomb | Plataformas: PC, Xbox Series, Game Pass
A maior surpresa do ano. Blue Prince chegou sem hype, sem trailers explosivos, sem influencers pagos para falar bem. E silenciosamente se tornou o segundo título mais bem avaliado do ano no Metacritic, combinando narrativa de mistério com puzzles que exigem raciocínio apurado. O objetivo é investigar 45 cômodos em busca de pistas para encontrar o 46º quarto secreto mencionado pelo falecido proprietário da mansão.
O que torna Blue Prince especial é que ele é, tecnicamente, um roguelike: o layout da mansão muda a cada partida. Mas o meta-puzzle — a história maior que você vai descobrindo aos poucos — permanece consistente e se aprofunda a cada run. É um jogo que recompensa anotações em papel, conversas com amigos e, principalmente, paciência.
A crítica elogia a sensação de descoberta e a forma como o jogo usa sua mecânica de "casa viva" para criar desafios únicos em cada nova jogada. Disponível no Game Pass desde o lançamento, não existe desculpa para não ter jogado.
Jogue se: você curte mistérios, puzzles e a satisfação de resolver algo que parecia impossível.
#4 — Death Stranding 2: On the Beach (2025) | Metascore: 89
Desenvolvedor: Kojima Productions | Plataformas: PS5
Hideo Kojima é, por definição, impossível de categorizar. Death Stranding 2 é mais uma prova disso: é um jogo de entrega de pacotes, de ficção científica existencialista, de laços humanos em um mundo destruído — e é tudo isso ao mesmo tempo, sem pedir desculpas.
Registrou User Score 8.8 e Metascore 89, confirmando que tanto crítica quanto público reconheceram a ambição do projeto. A sequência expande a mitologia do primeiro jogo de formas que recompensam quem jogou o original, mas também se sustenta sozinha com uma narrativa mais acessível.
O jogo não é para todo mundo — e Kojima claramente não está tentando agradar todo mundo. Mas para quem entrou na frequência certa, Death Stranding 2 é uma experiência que não existe em mais lugar nenhum.
Jogue se: você quer algo que desafie sua ideia do que um videogame pode ser.
#3 — Clair Obscur: Expedition 33 (2025) | Metascore: 92
Desenvolvedor: Sandfall Interactive | Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Game Pass
O favorito emocional do ano. O primeiro jogo da Sandfall Interactive — formada por ex-funcionários da Ubisoft — é um RPG de fantasia sombria ambientado em um mundo onde uma entidade maligna chamada Pintora apaga todas as pessoas acima de uma determinada idade, e esse número diminui a cada ano. Você comanda a Expedição 33 — a última missão antes que todos com 33 anos sejam extintos.
O combate combina turnos com mecânicas em tempo real, como esquivas e parries, criando um sistema que se sente ao mesmo tempo clássico e completamente novo. Vendeu mais de 3 milhões de cópias e recebeu 12 indicações no The Game Awards — o maior número do ano.
O que impressiona é o contexto: não é de um estúdio veterano — é o primeiro jogo de um time estreante. A voz do elenco é liderada por Charlie Cox e Andy Serkis, e a qualidade da produção rivaliza com RPGs de orçamento dez vezes maior.
Jogue se: você ama JRPGs, RPGs narrativos, ou simplesmente quer entender por que o mundo da crítica ficou obcecado com esse jogo em 2025.
#2 — Hades II (2025) | Metascore: 94–95
Desenvolvedor: Supergiant Games | Plataformas: PC, Switch, Switch 2
O vencedor oficial do Metacritic Game of the Year 2025. Hades II superou favoritos como Clair Obscur: Expedition 33, Hollow Knight: Silksong, Death Stranding 2 e Donkey Kong Bananza para liderar o ranking final do agregador.
No Metacritic, Hades 2 conta com uma nota de 94, sendo descrito como o melhor roguelike dos últimos anos, uma experiência extremamente divertida e uma sequência que ultrapassa o original em ambição. No OpenCritic, a nota chegou a 95 com 98% de recomendação da crítica.
A Supergiant é, neste ponto, o estúdio indie mais consistente da história dos videogames: Bastion, Transistor, Pyre, Hades e agora Hades II — cinco jogos, cinco aclamações da crítica. Isso não é sorte. É cultura de estúdio.
Jogue se: você quer o melhor jogo de 2025 segundo a crítica especializada. Simples assim.
#1 — Clair Obscur: Expedition 33 (escolha do público) | User Score: 9.6
Sim, a gente colocou Clair Obscur duas vezes — e com razão.
Clair Obscur: Expedition 33 foi o único jogo a aparecer no top 3 tanto da crítica (Metascore 92) quanto do público (User Score 9.6), o que o torna, pelo critério mais completo possível, o jogo do ano de 2025. Hades II ganhou a batalha das notas. Mas Expedition 33 ganhou os corações.
Esse tipo de consenso total — crítica e público alinhados, com notas altíssimas dos dois lados — é extremamente raro. Aconteceu com Red Dead Redemption 2, com Elden Ring. Em 2025, aconteceu com um RPG feito por ex-funcionários da Ubisoft que nunca tinha lançado um jogo antes.
O Que 2025 Nos Ensinou
A grande lição do ano é simples: dinheiro não compra qualidade, e a indústria indie nunca esteve tão forte.
Borderlands 4 foi um dos maiores decepcionantes do ano. Call of Duty: Black Ops 7 chegou ao fundo da lista dos piores jogos pelo voto do público. Enquanto isso, um estúdio de primeira viagem criou um dos melhores RPGs da geração, e um roguelike de uma equipe de 20 pessoas ganhou o GOTY do Metacritic.
O jogador de 2025 está mais exigente, mais informado e menos disposto a pagar preço cheio por experiências medianas. E os estúdios pequenos, que nunca tiveram alternativa a não ser fazer algo genuinamente bom, estão colhendo os frutos disso.
2026, com Resident Evil Requiem já chegando com tudo, promete ser pelo menos tão bom. Prepare os seus backlog.
Qual foi o seu jogo favorito de 2025? Concorda com o ranking ou tem algum título que merecia estar aqui? Conta nos comentários — esse tipo de debate é o que faz a comunidade gamer ser incrível. 🎮
Tags: Melhores Jogos 2025, Ranking Games, Metacritic 2025, Hades 2, Clair Obscur Expedition 33, Blue Prince, Hollow Knight Silksong, Donkey Kong Bananza, Death Stranding 2, Split Fiction, Jogos Indie, GOTY 2025

