Existe algo genuinamente inédito acontecendo com Marathon esta semana. O jogo lançou há três dias. A maioria dos veículos especializados — IGN, Eurogamer, GameSpot, Digital Foundry — não publicou uma linha de review. Não porque não jogaram. Mas porque a Bungie pediu para esperarem.

O argumento da empresa é razoável no papel: Marathon é um live-service, e a zona de endgame "Cryo Archive" chega ainda em março. Avaliar o jogo sem esse conteúdo seria como avaliar Destiny 2 na semana do lançamento, antes das primeiras raids. A experiência completa não existe ainda.

O problema é que os jogadores pagaram US$ 39,99 agora. E eles têm opinião.

Desenvolvedor: Bungie

Publisher: Sony Interactive Entertainment

Plataformas: PS5, Xbox Series X|S, PC

Preço: R$ ~219 (US$ 39,99)

Gênero: Extraction Shooter PvPvE

Testado em: PC e PS5


O Que Está Acontecendo com as Notas

A divisão é tão acentuada que merece ser documentada antes de qualquer análise:

  • Metacritic (crítica especializada): em branco — embargos respeitados

  • Metacritic (usuários): 4.4 / 10 — resultado de review bombing coordenado

  • Steam: 89% positivo com mais de 16.000 avaliações — "Muito Positivo"

  • PlayStation Store: 4.7 / 5 com mais de 3.300 avaliações

  • Xbox: 4.5 / 5

A discrepância entre o Metacritic de usuário e as outras plataformas não é acidental. O Metacritic tem um histórico conhecido de review bombing organizado — usuários que nunca jogaram o título e chegam com motivações externas. No caso de Marathon, as motivações são documentadas: parte da comunidade de Destiny 2 que se sente abandonada pela Bungie, jogadores que protestam contra o modelo live-service da Sony pós-Concord, e críticas legítimas misturadas com raiva coordenada.

O Steam, onde é preciso ter comprado o jogo para avaliar, conta uma história diferente. 89% de aprovação com 16 mil reviews é um número substancial. Não é o triunfo que a Sony esperava, mas também não é a catástrofe que o Metacritic sugere.

A verdade, como quase sempre, está no meio.


O Que Marathon Acerta — E Acerta Bem

O Gunplay É Excepcional

Se existe um consenso entre jogadores favoráveis e desfavoráveis, é este: atirar em Marathon é satisfatório de um jeito que poucos jogos conseguem. A Bungie tem um histórico inigualável em gunfeel — Halo, Destiny, agora Marathon — e esse DNA está intacto.

Cada arma tem peso e personalidade distintos. O recoil é gerenciável mas presente. Os headshots têm feedback visual e sonoro que você sente no controle. Num gênero onde a diferença entre vida e morte é frequentemente questão de milissegundos, a precisão do gunplay é o alicerce de tudo — e esse alicerce é sólido.

A Direção de Arte É de Outro Nível

Tau Ceti IV é um dos ambientes mais visualmente coerentes lançados num jogo em anos. A estética biopunk — orgânico crescendo sobre industrial, cores vibrantes sobre concreto deteriorado — tem uma identidade que não existe em nenhum outro jogo do gênero.

Os Runners (as classes jogáveis) têm designs que funcionam tanto como identidade visual quanto como leitura instantânea em combate. Você sabe pelo silhueta quem está enfrentando e o que esperar. Isso é design de personagem inteligente.

O Loop PvPvE Funciona Quando Clica

O modelo de extração — entrar, coletar recursos, tentar sair vivo enquanto enfrenta IA e outros jogadores humanos — é simultaneamente a maior força e a maior barreira de Marathon. Quando funciona, cria momentos de tensão que Escape from Tarkov levou anos para refinar. A diferença é que Marathon é mais rápido, mais acessível e mais generoso com sistemas de segurança para itens valiosos.

As seis classes (Blackbird, Glitch, Locust, Void, Rook e Destroyer) têm habilidades que mudam completamente a dinâmica de uma equipe. Uma partida com Rook e dois Destroyers joga de forma radicalmente diferente de uma com Blackbird, Glitch e Void.


O Que Marathon Erra — E Precisa Corrigir

A Interface É Um Desastre

Este é o ponto onde crítica e elogios convergem sem discussão: a UI de Marathon é incompreensível. Contrastes excessivos que tornam informações importantes ilegíveis em segundos de combate, menus que exigem múltiplos cliques para tarefas básicas, e um HUD que não comunica estado crítico com clareza suficiente.

A Bungie reconheceu o problema publicamente e prometeu uma revisão completa da UI ainda em março. Isso é positivo — mas o fato de que um jogo pago lançou com uma interface nesse estado é difícil de defender.

O Onboarding Filtra Injustamente

As primeiras duas horas de Marathon são confusas de um jeito que não serve o jogo. O tutorial existe, mas não prepara adequadamente para a brutalidade do loop de extração. Jogadores chegando de Valorant, Apex ou CoD vão morrer repetidamente sem entender por quê — e uma fração desses jogadores vai desinstalar antes de entender o que o jogo tem a oferecer.

Extraction shooters têm curva de aprendizado alta por design. Mas ARC Raiders — o maior concorrente direto de Marathon — conseguiu criar um onboarding mais gentil sem perder a profundidade. Marathon não teve essa paciência.

O Conteúdo de Lançamento É Escasso

Três mapas. Seis classes. Um punhado de missões de contrato. Para um jogo a US$ 39,99, o conteúdo disponível no dia 1 é magro — e a Bungie sabe disso, o que explica em parte o pedido de adiamento das reviews.

A promessa é que março e abril trarão expansão significativa de conteúdo. O problema é que promessas de conteúdo futuro têm um histórico turbulento na Bungie — Destiny 2 treinou uma geração de jogadores a ser céticos com roadmaps.

A Polêmica do Pacote de Moeda

Antes do lançamento, um bug fez com que o pacote de US$ 10 de moeda virtual entregasse 20 LUX a menos do que o necessário para comprar uma skin de Runner. A Bungie corrigiu rapidamente e compensou os afetados — mas o incidente alimentou narrativas negativas sobre monetização que o jogo ainda carrega.


O Contexto Que Ninguém Está Falando

Marathon está sendo julgado com um peso que vai além do jogo em si.

Depois de Concord — o live-service da Sony que lançou em agosto de 2025 e foi desligado em 11 dias, custando estimados US$ 400 milhões — qualquer novo jogo live-service da Sony carrega o fantasma daquela catástrofe. Marathon não pode apenas ser bom. Precisa provar que a Sony aprendeu alguma coisa.

Ao mesmo tempo, a comunidade de Destiny 2 que a Bungie deixou gradualmente de lado nos últimos anos encontrou no Marathon um alvo conveniente. A raiva é real — mas nem toda ela é sobre Marathon.

E há o dado mais revelador de tudo: o pico de players simultâneos no Steam foi abaixo de 87 mil. Para um jogo respaldado pela Sony com meses de marketing, esse número é modesto. Não é catástrofe — está no top 10 de mais vendidos da semana — mas também não é o blockbuster que foi prometido.


Veredicto: Um Bom Jogo Num Momento Difícil

Marathon não é Concord. Mas também não é o comeback que a Bungie precisava.

É um extraction shooter com gunplay excepcional, direção de arte impressionante e um loop que, para quem entra disposto a aprender, oferece uma das experiências mais tensas e recompensadoras do gênero. Esses méritos são reais e não desaparecem por causa do review bombing.

Mas é também um jogo que chegou ao mercado com conteúdo insuficiente, uma interface que precisaria de mais meses de polimento e uma bagagem histórica pesada demais para ser ignorada. A solicitação de adiamento das reviews críticas — independente da justificativa — não ajudou a narrativa.

O veredito justo hoje, dia 8 de março, é que Marathon é um jogo incompleto com fundação sólida. Se a Bungie cumprir o roadmap de março e abril, esse review pode precisar ser revisado. Jogos live-service são organismos vivos.

Mas aqui está a pergunta que importa para você: vale US$ 39,99 agora?

Se você tem amigos para jogar em trio e apetite para extraction shooters, sim — com ressalvas sobre a UI e a curva de entrada. Se você quer um jogo com narrativa solo, conteúdo farto e sem incertezas sobre o futuro, espera mais um mês para ver como o Cryo Archive muda o jogo.

Nota provisória: 7/10 — com perspectiva de revisão em abril.


Pontos Positivos e Negativos

Positivos:

  • Gunplay entre os melhores do gênero

  • Direção de arte única e coerente

  • Seis classes com dinâmicas realmente distintas

  • Loop PvPvE tenso e recompensador quando funciona

  • Preço abaixo do padrão de mercado (US$ 39,99)

Negativos:

  • Interface confusa e ilegível em situações de combate

  • Onboarding que filtra injustamente novos jogadores

  • Conteúdo de lançamento escasso para um jogo pago

  • Sem modo 120Hz no lançamento

  • Embargos de review prejudicam a confiança do consumidor


Você já jogou Marathon? Está do lado dos 89% do Steam ou dos 4.4 do Metacritic? Conta nos comentários — esse é exatamente o tipo de debate que o jogo merece ter. 🎮


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